Segunda-feira, 28 de Maio de 2012

"Amour", de Michael Haneke - Cannes, Palma de Ouro 2012

Michael Haneke ganhou a palma de ouro de Cannes. O filme? “Amour”.

“Amour” é a história de um casal de músicos octogenários e que por circunstâncias da vida dão um verdadeiro testemunho de amor.

Ela, Anne, tem um enfarte que a deixa paralisada ficando numa cadeira de rodas. Ele, Georges, atende-a em todas as suas necessidades chagando ao extremo quando ela fica acamada.

A prova máxima de amor, aprova máxima da capacidade de Ser Humano. Na dificuldade individual ainda há forças para diminuir a dor de quem partilhou a vida. Sem desistência até ao fim.

Mesmo estranhando a profundidade de tão grande representação o trailer chama cada um à cadeira do cinema.

Graças à participação de Rita Blanco no elenco, é a porteira (o filme desenrola-se todo no apartamento dos músicos), veremos “Amour” nas salas de cinema portuguesas. Ainda bem.

Anne (Emmanuelle Riva), Michael Haneke (o realizador) e Georges (Jean-Louis Trintignant).


Sexta-feira, 25 de Maio de 2012

A "Troika", os Portugueses ou Magos.




Os portugueses começam a desconfiar que se sabe mais das reuniões à porta fechada que nas de porta escancarada.


A “troika”, ao que parece, reuniu à porta fechada com os deputados da nação e de lá veio a público, pela voz dos enclausurados, uma salganhada de ideias - ninguém poderá avaliar, as escutas em Portugal são sempre para queimar porque não têm validade jurídica e não interessam, nem mesmo quando invocam o corrupto Pinocchio – sem se entender muito bem o que disseram.

Os do PCP lamentam que “para a “troika” “o desemprego é causado pelos altos salários dos trabalhadores”.

Os da esquerda caviar lamentam que não tenham dado resposta ao problema do desemprego e censuram que os homens afirmem que têm de estudar o problema.

Os do maior da oposição dizem que urge encontrar soluções para atenuar a crise social do desemprego.

Os da maioria governamental acertam nas afirmações da “troika” que apontam para uma avaliação positiva do desempenho orçamental português baseada no controlo da dívida pública e na menor recessão do primeiro trimestre que a esperada no projeto de resgate.

A recessão que o país atravessa era condição “sine qua non” para o BCE/ FMI/ UE aprovarem um empréstimo a Portugal a um preço decente.

Porquê? Querem o mal dos portugueses? Errado. Pretendem que a forma como os portugueses criam riqueza, altamente dependente do agente económico estado, seja modificada.

Como é que isso se faz? Mudando de atitude e mentalidade. Porquê? Porque com o endividamento externo criado ou seguimos um novo caminho que possa ser sustentado o mais à margem possível do estado ou estamos condenados a excessivos impostos para em simultâneo suportar as regalias sociais inerentes ao que muitos atestam como estado social inalterável (acabar uma licenciatura e ter um emprego certo durante 40 anos, aos sessenta e cinco ter reforma e algumas poupanças que possam ajudar filhos e netos). O estado social não tem definição fixa porque as condições de financiamento do estado, hoje, estão completamente alteradas por contrapartida de um conjunto de benefícios de betão mal projetados financeiramente. Só isso.

A “troika” tentou estudar num mês como poderia conjugar o cumprimento de obrigações financeiras do estado e ainda haver uma vida para além do défice (objetivamente, não há sol na eira e chuva no nabal em concomitância), assim, foram cativadas as verbas do estado social o que gerou a dita “crise social do desemprego”.

As palavras da “troika” não são agradáveis nem pela não resposta ao desemprego, nem pela resposta positiva ao desempenho orçamental. A vida dos portugueses não está fácil, porém, a resistência não é a resposta. A solidariedade, o empreendedorismo e a “way of being portuguese” (construímos, a tijolo e cimento, a Expo98 em menos do piscar de olhos de um alemão; descalços demos formação superior aos filhos, quantos foram os pais que não tiveram 3 refeições diárias na infância; acordamos às 6:30 da madrugada para apanhar um cacilheiro e voltamos só às 11 da noite para casa rijos, firmes e sem vergar).

Se há uma coisa que sabemos é que é preciso muito mais que um défice, ou uma “troika” ou um bando de especuladores abjetos para deitar a vontade dos portugueses abaixo.

Quem passou e viu “claramente visto, o lume vivo que a marítima gente tem por santo em tempo de tormenta e vento esquivo, de tempestade escura e triste pranto. Não menos foi a todos excessivo milagre, e coisa certo de alto espanto, ver as nuvens do mar com largo cano sorver as altas águas do oceano”(Lusíadas V, 18) e ainda chegar à Índia fazendo das tormentas boa esperança ou é mago, ou é português.

Quinta-feira, 24 de Maio de 2012

Avisem o Relvas

 
 
 
A ida do ministro dos assuntos parlamentares à ERC (Entidade Reguladora da Comunicação Social) prestar declarações sobre as alegadas pressões sobre uma jornalista é a notícia do dia. Não haverá cão ou gato que não saiba que o homem hoje vai lá estar.

Como todos os portugueses podem verificar a XIX esperança Portugal tem sido favorecida cabalmente pela comunicação social.

Não há rádio, televisão ou jornal que não brinde as medidas do governo com o melhores “mimos” possíveis, mesmo quando, técnicos económicos atestem que as expectativas eram as resultantes e sublinhando a necessidade de passar por este passo para atingir o objetivo final.

Não há rádio, televisão ou jornal que não acompanhe o líder do maior partido da oposição a uma retrete pública de fornos de Algodres para que todos os portugueses o possam ver a dissertar sobre a importância do investimento público em salubridade na alavancagem da economia portuguesa.

Caso ninguém tenha percebido, a hipótese da saída da Grécia da União Europeia é colocada em cima da mesa por contrapartida do não consenso para que aquele país possa ser governado.

Ontem mesmo, em Portugal, o maior partido da oposição não se rogou em apresentar um documento à votação na Assembleia da República, batendo o pé até ao fim, para apoiar o crescimento (económico ou eleitoral), em dia de cimeira europeia, marimbando-se se colavam Portugal à situação grega ou não. Foi o primeiro-ministro de Portugal, refém da imagem de coesão que tem fomentado para negociar, que teve de anuir ao amuo da oposição: “Aqui d’el rei se não se vota!”

A comunicação social aproveitou, também, para sublinhar a bold o relatório da direção geral do orçamento todos os números que referem mau comportamento económico do mês de Abril. Amanhã, irão esquecer, de certeza, o que a “troika”, já cá estão outra vez, dirá sobre o desempenho da economia portuguesa.

Se Relvas pressionou é bom que o avisem para parar com o disparate, não está resultar.

Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

The Flames of Greece


A forma grega de protesto, labaredas de razões.

A estrada entre o pacto fiscal e potenciar o crescimento passa hoje pelo conselho informal de chefes de governo da União.

A criação de uma zona que permitisse a circulação livre de bens, capitais e pessoas esteve na génese da União Europeia. Alguns perceberam que os problemas originados por tal “agreement “ levariam a uma inevitável união política entre estados ou a uma barafunda ordeira tanto quanto possível.

Os perigos financeiros da União, aquando da constituição de uma moeda única, eram enormes. Viveram-se, vivem-se e são hoje um facto consumado com a crise inultrapassável das dívidas soberanas.

O perigo político parecia arredado desta união, no entanto, com a tentativa de ratificação da constituição Europeia em referendo se percebeu a sua iminência, com o alargar popular dos movimentos de extrema-direita pela Europa fora se o redescobriu e com a falta de estabilidade política num governo de um só estado Europeu de média importância se encontrou a existência real do fenómeno.

A Grécia, endividada até aos dentes e já com um perdão financeiro dado, não consegue um governo estável e ameaça toda a União. Um político populista com expressão eleitoral considerável nas últimas legislativas veio dizer querer renegociar o acordo de resgate da Grécia, caso ganhe as eleições, e que não pretende sair da União. Um dos responsáveis pelos tumultos violentos em Atenas contra o cumprimento financeiro do acordo com a Grécia, um dos cidadãos que beneficiaram de um perdão de dívida e um dos que gritou contra os que sempre foram favoráveis à manutenção da economia grega na zona euro quer que acreditem nas suas intenções.

De facto, a Europa está numa encruzilhada. Se por um lado, os que intentam sanear as contas públicas dos países em “bailout” não estão a conseguir apresentar resultados que criem expectativas às populações, por outro lado, os que se mostram como alternativa àquela governança são um bando de arrebatados que ainda não perceberam, caso sejam um dia poder, que não terão condições financeiras, nem políticas, para cumprir aquilo que estão a prometer em eleições.

Terça-feira, 22 de Maio de 2012

O Índice Mexicano da OCDE


A vida dos portugueses está mais semelhante aos húngaros que aos mexicanos.

O que quer isto dizer? A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) apresentou os resultados de 2011 do Índice Vida Melhor (possibilita analisar o desempenho dos 36 países em 11 premissas, como, renda, ambiente, satisfação com a vida). Este Índice Vida Melhor tem o potencial de deixar claro o que as pessoas querem e precisam e o que os governos lhes estão a dar.

Pior que Portugal, só a Hungria. Os Islandeses, os Mexicanos e os Canadianos são das mais sensações positivas têm.

A avaliação de felicidade da OCDE mostra um Portugal “insatisfeito”, “desconfiado” e “inseguro”.

A conjuntura demasiado economicista leva a colocar a sílaba tónica das nossas vidas no fator financeiro, basta ler os jornais de hoje a calcularem que os funcionários da administração (a maioria da população) a perder 40% do vencimento para entender a insatisfação.

As vãs promessas de anos de que tudo era possível: ter casa e carro a baixo preço financiando acionistas de banco a juros ainda mais baixos; estradas magníficas para circular a 200 km/hora sem portagem com custos de financiamento maiores que construir uma nova torre Eiffel; morar a 100 km do local de trabalho e fazer especulação imobiliária em Caneças; ter férias no estrangeiro uma vez ao ano, construir um aeroporto megalómano, a par, outra no Algarve… sem que mal nenhum viesse ao mundo. A parte da “desconfiança” fica esclarecida.

Da “insegurança” basta apenas falar de um país de brandos costumes que de uma hora para a outra tem os “gang’s das gasolineiras”, os assaltos à marretada a ourives, o “carjacking” - Ah! O parque automóvel melhorou mais por aqui que em muitos países de PIB per capita bem maior - e o “bullying”, violência nas escolas, “como se fossem mafiosos convictos, habituados a controlar”, sem que haja processo disciplinar e ainda por cima com a possibilidade de transitar de ano, tipo qualificação sem regras. Sem esquecer a justiça de rico e a justiça de pobre que se tornou apanágio.

Este Índice Vida Melhor pode ser esclarecedor quanto aos islandeses e aos canadianos, porém, quanto aos mexicanos ainda custa a entender tanta felicidade. Devem estar a confundir tiros de arma automática com “foguetótrio”, só pode.

Definição de Direito Adquirido Paradoxal. É direito de uns, impedimento do exercício dos direitos dos outros.

Sexta-feira, 18 de Maio de 2012

Magia em Demasia ou Bailout


foto
Acreditar que uma eleição presidencial em França resolve todo o problema da crise das dívidas soberanas é uma ideia que alguns andam a tentar passar. Que um passo de mágica, qual milagre, existe só pode sair de cabeças estonteadas por SCUT’s e aeroportos fantasmas.

A eleição de Hollande cria expectativas na objetiva possibilidade de criar um acordo de crescimento altamente consequente com o pacto orçamental assinado por 25 dos 27 estados membros da União Europeia. O que não é de todo a galinha dos ovos de ouro.

A ver as notícias durante esta semana que corre o que os mercados estão a fazer a uma das maiores economias europeias (a Espanha) pelas suas hesitações na aplicação de um programa austero de contenção; os investidores atiram-se para a dívida soberana alemã deixando tao BCE todas as compras das dívidas soberanas de países dos países do sul da Europa, só de olhar para a Grécia espartilhada e sem rumo na criação de uma alternativa governativa sólida consubstanciada no trabalho de limpeza da toxicidade económica criada durante os anos de coesão.

A ver o que o, agora, ajudante de mágico europeu para a economia, Moscovici, diz ao tomar a substituição do anterior titular no governo de França. “Temos de trabalhar com todos os parceiros, principalmente com a Alemanha. Irei falar com o Sr. Schauble (ministro das finanças alemão).

Afinal, a magia esgota-se na realidade. Antes do poder estar consubstanciado tudo é possível, tudo era obra dos malvados da austeridade. Quando a responsabilidade de financiar o estado passa para a mão, tudo é objetivamente mais difícil, porque a realidade assim o dita.

Há que conter, há que reduzir, há que viver consequente com a riqueza criada ou tender o mais possível para ela. A assinatura de todos os governantes franceses que entraram agora em diminuir os seus vencimentos em 1/3 é sinal de quê?

A França está a querer ser imune de quê? É o mágico tão forte como os do sul, o senhor Hollande. Mágico de um país tão insipiente como gregos, espanhóis, italianos e portugueses aburguesados que adoraram as PPP para as vias de comunicação, ou aeroportos de Beja para pombas e falcões.

Seguros estão, hoje, todos os portugueses do preço alto e lesivo, durante várias gerações, da execução de magia. Foi magia em demasia que originou a necessidade perene de bailout.