Os portugueses começam a desconfiar que se sabe mais das reuniões à porta fechada que nas de porta escancarada.
A “troika”, ao que parece, reuniu à porta fechada com os deputados da nação e de lá veio a público, pela voz dos enclausurados, uma salganhada de ideias - ninguém poderá avaliar, as escutas em Portugal são sempre para queimar porque não têm validade jurídica e não interessam, nem mesmo quando invocam o corrupto Pinocchio – sem se entender muito bem o que disseram.
Os do PCP lamentam que “para a “troika” “o desemprego é causado pelos altos salários dos trabalhadores”.
Os da esquerda caviar lamentam que não tenham dado resposta ao problema do desemprego e censuram que os homens afirmem que têm de estudar o problema.
Os do maior da oposição dizem que urge encontrar soluções para atenuar a crise social do desemprego.
Os da maioria governamental acertam nas afirmações da “troika” que apontam para uma avaliação positiva do desempenho orçamental português baseada no controlo da dívida pública e na menor recessão do primeiro trimestre que a esperada no projeto de resgate.
A recessão que o país atravessa era condição “sine qua non” para o BCE/ FMI/ UE aprovarem um empréstimo a Portugal a um preço decente.
Porquê? Querem o mal dos portugueses? Errado. Pretendem que a forma como os portugueses criam riqueza, altamente dependente do agente económico estado, seja modificada.
Como é que isso se faz? Mudando de atitude e mentalidade. Porquê? Porque com o endividamento externo criado ou seguimos um novo caminho que possa ser sustentado o mais à margem possível do estado ou estamos condenados a excessivos impostos para em simultâneo suportar as regalias sociais inerentes ao que muitos atestam como estado social inalterável (acabar uma licenciatura e ter um emprego certo durante 40 anos, aos sessenta e cinco ter reforma e algumas poupanças que possam ajudar filhos e netos). O estado social não tem definição fixa porque as condições de financiamento do estado, hoje, estão completamente alteradas por contrapartida de um conjunto de benefícios de betão mal projetados financeiramente. Só isso.
A “troika” tentou estudar num mês como poderia conjugar o cumprimento de obrigações financeiras do estado e ainda haver uma vida para além do défice (objetivamente, não há sol na eira e chuva no nabal em concomitância), assim, foram cativadas as verbas do estado social o que gerou a dita “crise social do desemprego”.
As palavras da “troika” não são agradáveis nem pela não resposta ao desemprego, nem pela resposta positiva ao desempenho orçamental. A vida dos portugueses não está fácil, porém, a resistência não é a resposta. A solidariedade, o empreendedorismo e a “way of being portuguese” (construímos, a tijolo e cimento, a Expo98 em menos do piscar de olhos de um alemão; descalços demos formação superior aos filhos, quantos foram os pais que não tiveram 3 refeições diárias na infância; acordamos às 6:30 da madrugada para apanhar um cacilheiro e voltamos só às 11 da noite para casa rijos, firmes e sem vergar).
Se há uma coisa que sabemos é que é preciso muito mais que um défice, ou uma “troika” ou um bando de especuladores abjetos para deitar a vontade dos portugueses abaixo.
Quem passou e viu “claramente visto, o lume vivo que a marítima gente tem por santo em tempo de tormenta e vento esquivo, de tempestade escura e triste pranto. Não menos foi a todos excessivo milagre, e coisa certo de alto espanto, ver as nuvens do mar com largo cano sorver as altas águas do oceano”(Lusíadas V, 18) e ainda chegar à Índia fazendo das tormentas boa esperança ou é mago, ou é português.